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4800-412 Guimarães

Edifício

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Uma igreja românica

A singela igreja de S. Miguel do Castelo é, no entender de Manuel Monteiro, «uma construção nítida e tipicamente românica pelo seu aparelho e pelo desenho das suas portas, cornijas e modilhões».

É um templo de dimensões pouco avantajadas, construído no granito de dente grosseiro da região, sem grandes atavios decorativos, de planta retangular, de uma só nave, com capela-mor também retangular, sem siglas de canteiro e com teto em madeira, seguindo modelo semelhante ao de muitas outras igrejas do mesmo período.

O arco-cruzeiro não é o original, tendo em 1795 sido substituído por outro. No restauro efetuado entre 1874 e 1880, deitaram-no abaixo e voltaram a reconstruí-lo de acordo com o que se considerou ser o arco cruzeiro primitivo. No entender de Manuel Monteiro, apesar do cuidado posto neste restauro, o arco cruzeiro deveria ter sido feito à semelhança do da porta principal, ou seja, com arco apontado.

A igreja possui três portas: a porta de entrada principal e duas, uma em frente à outra, inseridas nas paredes laterais da nave.

A iluminação do interior do templo é garantida através seis singelas frestas: uma, na cabeceira da capela-mor; outra, na empena da porta principal, e duas em cada uma das paredes laterais da nave.

A igreja não possui colunas nem capitéis ornamentados, os tímpanos são lisos, sendo a cornija e os modilhões singelos.

No interior do monumento são ainda visíveis dez das doze cruzes com que se sagrava uma igreja.

Em tempos idos, a igreja teve um retábulo na capela-mor e dois altares na nave, encostados ao arco cruzeiro.

O retábulo do altar-mor foi mantido durante as obras de restauro de 1874-1888, mas, no restauro realizado pela DGEMN, entre 1938-1940, foi retirado e substituído por um altar de pedra.

Na parede exterior da nave, orientada a poente, encontram-se dois túmulos em arcossólio inseridos na grossura da parede. Acredita-se que no primeiro túmulo em arcossólio (contando a partir da empena da entrada principal) se encontra sepultado o chantre conimbricense Martim Pais, falecido a 5 de janeiro de 1223. No túmulo seguinte, também em arcossólio, singelo e despido de ornatos, estará sepultado João Anes Enxate, procurador de número da vila de Guimarães.

Em redor da Igreja de S. Miguel do Castelo terá existido um alpendre.

Ao longo dos séculos a Igreja de S. Miguel do Castelo foi um lugar de enterramento, deles ainda hoje permanecendo a memória, através de um conjunto significativo de tampas de sepultura que se encontram no pavimento da nave da Igreja, tendo também, outrora, existido outras no exterior.