Horário: Ver "Informações Especiais Covid-19"

Rua Conde Dom Henrique

4800-412 Guimarães

PD1056

Objeto museológico (PDB)

Maça de Armas
Autor: Desconhecido
Centro de Fabrico: Desconhecido
Data: Século XV
Material: Madeira e bronze
Dimensões (cm): comp. 65 x Ø 8,4
Peso: 580 g
N.º de Inventário: PD1056

Arma de choque composta por duas partes principais – a cabeça (com 8,2 cm de comprimento e 6,5 cm de diâmetro) e o cabo (com 56 cm de comprimento e 3,5 cm de diâmetro). A cabeça, bastante dilatada, é de bronze e está equipada com uma série de oito ‘facas’ grossas, de formato triangular, dispostas radialmente. O cabo, de madeira, tem forma cilíndrica e está revestido por uma única tira de pele encerada. O encabamento processa-se por meio de um forte prego de ferro, de cabeça larga e redonda. No extremo oposto, a conteira desta maça de armas apresenta uma fina chapinha de ferro, decorada em forma de roseta. Verifica-se ainda que o cabo varia de espessura em dois pontos do seu trajeto, definindo com isso uma zona de punho, com cerca de 13,5 cm de extensão. Na zona inferior desse punho existem dois orifícios em extremos opostos, por onde circula uma estreita fita de couro.

As maças de armas surgiram no século XII, tendo a configuração de um cabo cilíndrico, ao qual se achava associada uma cabeça de ferro de formato cilíndrico. Este ‘cacete curto’ tinha grande capacidade ofensiva e era capaz de enfrentar todas as armas, exceto a lança. Ao longo dos séculos XIII a XIV, a cabeça da maça de armas tendeu a dilatar-se e a surgir equipada com uma série de grossas ‘puas’ ou ‘facas’, habitualmente de formato triangular, dispostas radialmente. Embora sem a mesma capacidade do que as espadas (nesta altura usadas sobretudo como estoques) para cortar as defesas adversárias, o abalo que as maças produziam nas defesas do corpo dos inimigos devia ser temível. Foi este, aliás, um dos fatores que mais terá estimulado a transição das proteções de malha para as defesas de placas. No Portugal de meados de Quatrocentos, existia uma enorme quantidade de fachas (achas de armas) e de maças armazenadas no arsenal de Lisboa. Ao mesmo tempo, as maças de armas acabaram por assumir uma importante carga simbólica, sendo iconograficamente representadas em associação a personagens estreitamente ligadas ao poder e à justiça.

João Gouveia Monteiro