Horário diário: 10:00 - 18:00

PDdep0019

Cena Campestre alusiva à Primavera
Autor: Desconhecido
Centro de Fabrico: Desconhecido
Data: Século XVII (?)
Material: Óleo sobre tela
Dimensões (cm): Alt. 51; larg. 67,4
Proprietário: Geosil – Empreendimentos Agrosilvícolas, S.A.
N.º de Inventário: PDdep0019

A pintura representa uma cena campestre, passada num local arborizado sombrio, mas que permite ver uma extensa paisagem natural através de uma pequena abertura da vegetação.

Em primeiro plano, observa-se uma interessante narrativa sobre a pecuária e o aproveitamento dos seus recursos, demonstrado pelo aproveitamento e tratamento da lã do gado ovino. Assim, no canto inferior direito, vê-se um homem agachado e segurando uma ovelha que está a tosquiar. A seu lado, uma criança ajuda-o segurando a cabeça do animal e, à sua frente, estão colocados dois velos (pelos ou lãs dos animais lanígeros). Ao lado, permanecem algumas ovelhas do rebanho que esperam a sua vez. Do lado direito desta cena, uma mulher ajuda três jovens a lavarem quatro velos alinhados.

Num segundo plano, observa-se uma espécie de telheiro onde está uma pessoa que zela por um conjunto de fardos de feno. Simultaneamente, outros trabalhadores colocam-nos sobre o carro puxado por uma junta de bois.

“A Flora nas coleções do Paço”
«As pinturas que se encontram expostas no Paço dos Duques de Bragança […], de pintor anónimo, e de execução provável no século XVII, são cópias de gravuras que circulavam à época e que se disseminaram pelos vários cantos da Europa.

A autoria das gravuras originais deve-se aos irmãos Sadeler – Johann (1550-1600), Raphael (1560/1-1628/32) e Aegidius (1555-1609) –, membros de uma das dinastias mais importantes de gravadores flamengos que dominou o mercado no norte da Europa, abarcando também a região do Veneto, desde a segunda metade do século XVI até finais do século XVII.

A grande reputação dos irmãos Sadeler foi granjeada precisamente através da difusão destas gravuras sobre as estações do ano que eram, em última análise, reproduções de uma série de pinturas de Jacopo Bassano e da sua oficina.

Denominada As Estações, esta série (1574-75), tinha sido concebida por Jacopo da Ponte, também conhecido por Jacopo Bassano (1510-92), influente pintor da Renascença veneziana. As pinturas focavam as tarefas sazonais da vida rural, representadas de uma forma naturalista que, em primeiro plano, evocavam o ideal da alegria no trabalho do campo e onde tudo parecia fluir ordenadamente.

Os quadros […] sediados no Museu de História de Arte, em Viena, estiveram na génese das gravuras e das duas obras existentes no Paço dos Duques.
[…]
Embora seja esta uma representação benigna de um tempo santo, a verdade é que o tempo da ceifa não o era sempre. Em Portugal, a categoria de aguadeiro ou aguadeira, um dos homens ou mulheres, que, no rancho de trabalhadores rurais, desempenhava a função de percorrer o campo com um cântaro de barro e distribuir água, representava o raro momento de alívio para o grupo que não parava de ceifar sob a canícula do verão. A sede era agravada pelo fato do horário de acesso à água ser controlado por quem exercia as funções de capataz o que criava situações de grande tensão e sofrimento.

A gravura da cena campestre alusiva à colheita, pisa e transporte das uvas numa carro-de-bois, através da representação da tarefa icónica da vindima do começo do outono e o espalhar das sementes […].»
Sasha Assis Lima