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MNSR219

Retrato do Rei D. Fernando II
Autor: Francisco José de Resende
Centro de Fabrico: Porto, Portugal
Data: 1859
Material: Óleo sobre tela
Dimensões (cm): Larg. 56,5; alt. 71
N.º de Inventário: MNSR219

D. Fernando de Saxe Coburgo Gotha é representado em busto, trajando um casaco azul escuro, com gola debruada a ouro. Ostenta, do lado esquerdo, uma faixa com várias cores e galardões.

D. Fernando nasce em Viena, em 1816, no seio de uma família saxão-austro-húngara. D. Fernando II foi o primogénito do príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gota. Durante a infância, cresceu em várias terras pertencentes à sua família na atual Eslováquia e nas cortes austríaca e germânica. Recebeu uma excelente educação, revelando desde cedo o seu aprimorado talento artístico. Casa, em 1836, com a rainha D. Maria II e torna-se rei consorte de Portugal. Foi o segundo marido da rainha. De acordo com a lei Portuguesa, enquanto marido da rainha reinante, D. Fernando só recebeu o título de rei após o nascimento do primeiro herdeiro, nomeadamente o futuro D. Pedro V.

A sua atividade política não foi muito marcante, limitando-se a ser conselheiro de sua mulher e mais tarde de seus filhos.

Com a morte de D. Maria II, assume a regência do reino, em 1853, mas rapidamente entrega o poder a seu filho, D. Pedro V.

Ao longo da sua vida dedica-se às artes, sendo ele próprio um artista (cantor, pintor, desenhista e gravador). Mostra-se um grande defensor do património português edificado, garantindo a conservação dos monumentos portugueses. Em 1836, foi eleito presidente da Academia Real das Ciências e do Conservatório Real, em 1841. Dedicou parte das suas preocupações às causas de cariz nacionalista, como a proteção do património arquitetónico português edificado. Impulsionou aspetos culturais e financeiros, como projetos de restauro e manutenção respeitantes ao Mosteiro da Batalha, ao Convento de Mafra, ao Convento de Cristo, ao Mosteiro dos Jerónimos, à Sé de Lisboa e à Torre de Belém. Interessa-se pelo património artístico nacional, comprando e recolhendo inúmeras obras de arte, ainda hoje conservadas em museus e palácios nacionais.

Como amante de pintura, colaborou com algumas gravuras de sua autoria na “Revista Contemporânea de Portugal e Brasil” (1859-1865).

Em 1861, voltou ao poder durante um breve período de regência, após a morte do jovem monarca D. Pedro V. Em 1862, o seu nome foi sugerido para o trono da Grécia, proposta que recusou, bem como em 1868 para o trono de Espanha, depois da revolução que derrubou a rainha Isabel II, proposta que também rejeitou.

Em 1869, casou-se pela segunda vez, morganaticamente, com Elise Hensler, que era uma cantora de ópera e mãe solteira e a quem viria a deixar como herança o Palácio da Pena.

Pouco antes da sua morte, D. Fernando começou a sofrer de uma dolorosa enfermidade a que não resistiu. Falece em Lisboa, em 1885, e encontra-se sepultado ao lado de D. Maria II no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora.

Objeto museológico - D. Fernando