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4800-412 Guimarães

PD0145

Objeto museológico (PDB)

Tapeçaria de Pastrana: Assalto a Arzila
Centro de Fabrico: Real Fábrica de Tapices, Madrid, Espanha
Cronologia: 1949
Material: Lã e seda
Dimensões (cm): alt. 490 x larg. 1057
N.º de Inventário: PD0145

As «Tapeçarias de Pastrana» devem a designação ao facto de serem cópias únicas das tapeçarias do último quartel do século XV que se encontram na Colegiada de Pastrana, em Espanha.

Esta série de tapeçarias narra a conquista no norte de África, em 1471, da praça de Arzila (três tapeçarias) e a tomada de Tânger (uma tapeçaria), decorridas durante o reinado de D. Afonso V.

Trata-se muito provavelmente de uma encomenda régia feita a um dos centros manufatureiros da Flandres (Tournai, Bélgica), no terceiro quartel do século XV, podendo supor-se “que as tapeçarias tivessem levado entre três a cinco anos de trabalho em quatro teares operando em simultâneo com dezasseis a 20 tapeceiros” (Maria Antónia Quina).

É uma obra única no género, na Europa e no mundo, retratando com rigor histórico os acontecimentos bélicos ocorridos, os quais são, também, comprovados pela documentação.

Assalto a Arzila

Na parte superior da tapeçaria é visível uma legenda, escrita em latim, a qual infelizmente se encontra bastante truncada. Nela se descreve o cerco a Arzila que decorreu no dealbar da manhã de 24 de agosto de 1471, “iniciado antes do nascer do sol e depois de o rei ter exortado os homens de armas”, dá-se o assalto a Tânger. Nas brechas causadas na muralha pelos tiros das bombardas ou subindo por escadas entram os portugueses com ímpeto dentro da cidade travando uma luta acérrima com os sitiados, causando uma grande mortandade: “Prolongou-se até o meio dia por toda a parte, um combate atroz, qual o costuma ser entre vencedores cheios de ira e vencidos desesperados”.

Na tapeçaria do cerco a Arzila vê-se representado um arraial mais estático, como que se aguardando o momento do ataque, enquanto nesta a representação é mais dinâmica, mostrando-se a movimentação das hostes no assalto a Arzila e o movimento defensivo dos muçulmanos que se encontram dentro de muralhas.

Entre as hostes portuguesas a disposição continua similar à da tapeçaria do cerco: o arraial dentro de palanque, a cidade de Arzila no meio, vendo-se as gáveas das naus na parte superior e a todo o correr da tapeçaria.

À direita destaca-se a figura do rei D. Afonso V, a cavalo, vestindo uma bela armadura, com a coroa colocada sobre o capacete que lhe protege a cabeça e empunhando a espada em posição de ataque. No campo oposto, ou seja, do lado esquerdo da tapeçaria, destaca-se a figura do Príncipe D. João, também ele a cavalo e ricamente vestido, tendo a cabeça protegida por capacete com penacho e cabochões e ostentando na mão o bastão de comando. É a figura do que Camões evoca como “gentil, forte e animoso cavaleiro”.