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Rua Conde Dom Henrique

4800-412 Guimarães

PD0060

Objeto museológico (PDB)

Tapeçaria de Pastrana: Cerco a Arzila
Centro de Fabrico: Real Fábrica de Tapices, Madrid, Espanha
Cronologia: 1944
Material: Lã e seda
Dimensões (cm): alt. 482 x larg. 1084
N.º de Inventário: PD0060

As «Tapeçarias de Pastrana» devem a designação ao facto de serem cópias únicas das tapeçarias do último quartel do século XV que se encontram na Colegiada de Pastrana, em Espanha.

Esta série de tapeçarias narra a conquista no norte de África, em 1471, da praça de Arzila (três tapeçarias) e a tomada de Tânger (uma tapeçaria), decorridas durante o reinado de D. Afonso V.

Trata-se muito provavelmente de uma encomenda régia feita a um dos centros manufatureiros da Flandres (Tournai, Bélgica), no terceiro quartel do século XV, podendo supor-se “que as tapeçarias tivessem levado entre três a cinco anos de trabalho em quatro teares operando em simultâneo com dezasseis a 20 tapeceiros” (Maria Antónia Quina).

É uma obra única no género, na Europa e no mundo, retratando com rigor histórico os acontecimentos bélicos ocorridos, os quais são, também, comprovados pela documentação.

Cerco a Arzila

Dizem as crónicas que o cerco a Arzila durou três dias, passados debaixo de tormenta. As hostes portuguesas montam o seu arraial junto aos muros de Arzila, tendo construído em redor uma tranqueira, levada em peças de Portugal, e feita com taipais de madeira, fixados e pregados.

Nesta tapeçaria o palanque ou tranqueira, que está ornado com o pendão real (rodízio aspergindo gotas), as armas de Portugal e a cruz de S. Jorge, encontra-se rodeado por uma fossa ou cava, protegendo-se deste modo as hostes portuguesas de eventuais ataques por parte da cavalaria muçulmana. Dentro do palanque, podemos considerar a existência de dois grupos, do lado direito o rei D. Afonso V, a cavalo, vestindo uma bela armadura, com a coroa colocada sobre o capacete que lhe protege a cabeça e empunhando o bastão de comando. A figura do rei destaca-se entre a sua comitiva de fidalgos e cavaleiros, trombeteiros, besteiros e escudeiros.

No campo oposto, ou seja, do lado esquerdo da tapeçaria, destaca-se a figura do Príncipe D. João, também ele a cavalo e ricamente vestido, tendo a cabeça protegida por capacete com penacho e cabochões. Rodeiam-no os besteiros, espingardeiros, cavaleiros de lança e escudeiros.

No arraial são visíveis as bombardas “concertadas contra os muros de Arzila, assentes em armões de madeira e acobertadas por mantas – camuflagem medieval que protegia os bombardeiros contra as setas e virotões e só descobria a peça quando, no momento do tiro, se puxava por uma corda (visível na tapeçaria) e fazia girar o plano inclinado do taipal em torno do sue eixo” (Reinaldo dos Santos).

No lado esquerdo da tapeçaria, em cima, é visível a frota portuguesa. Dentro da cidade fortificada de Arzila, cuja representação tem mais a ver com a arquitetura do norte da Europa do que com o norte de África (repare-se nos telhados), encontram-se os muçulmanos em posição defensiva.