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PD0060

Tapeçaria de Pastrana: Cerco a Arzila
Centro de Fabrico: Real Fábrica de Tapices, Madrid, Espanha
Cronologia: 1944
Material: Lã e seda
Dimensões (cm): Alt. 482; larg. 1084
N.º de Inventário: PD0060

Cerco a Arzila

Dizem as crónicas que o cerco a Arzila durou três dias, passados debaixo de tormenta. As hostes portuguesas montam o seu arraial junto aos muros de Arzila, tendo construído em redor uma tranqueira, levada em peças de Portugal, e feita com taipais de madeira, fixados e pregados.

Nesta tapeçaria o palanque ou tranqueira, que está ornado com o pendão real (rodízio aspergindo gotas), as armas de Portugal e a cruz de S. Jorge, encontra-se rodeado por uma fossa ou cava, protegendo-se deste modo as hostes portuguesas de eventuais ataques por parte da cavalaria muçulmana. Dentro do palanque, podemos considerar a existência de dois grupos, do lado direito o rei D. Afonso V, a cavalo, vestindo uma bela armadura, com a coroa colocada sobre o capacete que lhe protege a cabeça e empunhando o bastão de comando. A figura do rei destaca-se entre a sua comitiva de fidalgos e cavaleiros, trombeteiros, besteiros e escudeiros.

No campo oposto, ou seja, do lado esquerdo da tapeçaria, destaca-se a figura do Príncipe D. João, também ele a cavalo e ricamente vestido, tendo a cabeça protegida por capacete com penacho e cabochões. Rodeiam-no os besteiros, espingardeiros, cavaleiros de lança e escudeiros.

No arraial são visíveis as bombardas “concertadas contra os muros de Arzila, assentes em armões de madeira e acobertadas por mantas – camuflagem medieval que protegia os bombardeiros contra as setas e virotões e só descobria a peça quando, no momento do tiro, se puxava por uma corda (visível na tapeçaria) e fazia girar o plano inclinado do taipal em torno do sue eixo” (Reinaldo dos Santos).

No lado esquerdo da tapeçaria, em cima, é visível a frota portuguesa. Dentro da cidade fortificada de Arzila, cuja representação tem mais a ver com a arquitetura do norte da Europa do que com o norte de África (repare-se nos telhados), encontram-se os muçulmanos em posição defensiva.

As «Tapeçarias de Pastrana» devem a designação ao facto de serem cópias únicas das tapeçarias do último quartel do século XV que se encontram na Colegiada de Pastrana, em Espanha.

Esta série de tapeçarias narra a conquista no norte de África, em 1471, da praça de Arzila (três tapeçarias) e a tomada de Tânger (uma tapeçaria), decorridas durante o reinado de D. Afonso V.

Trata-se muito provavelmente de uma encomenda régia feita a um dos centros manufatureiros da Flandres (Tournai, Bélgica), no terceiro quartel do século XV, podendo supor-se “que as tapeçarias tivessem levado entre três a cinco anos de trabalho em quatro teares operando em simultâneo com dezasseis a 20 tapeceiros” (Maria Antónia Quina).

É uma obra única no género, na Europa e no mundo, retratando com rigor histórico os acontecimentos bélicos ocorridos, os quais são, também, comprovados pela documentação.

Príncipe D. João, futuro D. João II

Décimo terceiro Rei de Portugal. Teve uma educação esmerada, provida por bons mestres, que o ensinaram a ler, a escrever e a rezar. Tornou-se um homem instruído, especialmente em matérias como a filosofia e a história, sendo ainda um admirador da poesia.

Acompanhou D. Afonso V nas campanhas em África e foi armado cavaleiro na tomada de Arzila. Sucedeu ao seu pai, após a sua abdicação, em 1477, mas só ascendeu ao trono após a sua morte, em 1481.

O reinado de D. João II constituiu um marco na evolução de Portugal, tornando-se um dos soberanos mais marcantes da nossa história.

Orientou-se no sentido da centralização e fortalecimento do poder real, tendo reprimido duramente as conjuras dos nobres e abatido o poder das grandes casas do reino, em especial da Casa de Bragança.

Assumiu a direção da expansão marítima portuguesa. Durante o seu reinado, toda a costa ocidental da África foi navegada, dobrou‑se o Cabo da Boa Esperança, preparou-se, por terra, as viagens de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva e, por mar, a viagem de Vasco da Gama à Índia.

A última fase da sua vida foi marcada, para além do agravamento do estado de saúde, por uma crescente tensão que envolvia a sucessão ao trono (com a morte do infante D. Afonso).

As causas da sua morte são, desde há muito, motivo de especulação entre os historiadores e os seus biógrafos. No entanto, a hipótese mais provável aponta para uma doença renal crónica, mas há quem defenda possibilidade de envenenamento.

Foi sepultado na Sé de Silves e transladado para o Mosteiro da Batalha, em 1499.

Tapeçaria de Pastrana - O Cerco