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Rua Conde Dom Henrique

4800-412 Guimarães

PD0059

Objeto museológico (PDB)

Tapeçaria de Pastrana: Desembarque de Dom Afonso V com suas tropas em Arzila
Centro de Fabrico: Real Fábrica de Tapices, Madrid, Espanha
Cronologia: 1943
Material: Lã e seda
Dimensões (cm): alt. 482 x larg. 1084
N.º de Inventário: PD0059

As «Tapeçarias de Pastrana» devem a designação ao facto de serem cópias únicas das tapeçarias do último quartel do século XV que se encontram na Colegiada de Pastrana, em Espanha.

Esta série de tapeçarias narra a conquista no norte de África, em 1471, da praça de Arzila (três tapeçarias) e a tomada de Tânger (uma tapeçaria), decorridas durante o reinado de D. Afonso V.

Trata-se muito provavelmente de uma encomenda régia feita a um dos centros manufatureiros da Flandres (Tournai, Bélgica), no terceiro quartel do século XV, podendo supor-se “que as tapeçarias tivessem levado entre três a cinco anos de trabalho em quatro teares operando em simultâneo com dezasseis a 20 tapeceiros” (Maria Antónia Quina).

É uma obra única no género, na Europa e no mundo, retratando com rigor histórico os acontecimentos bélicos ocorridos, os quais são, também, comprovados pela documentação.

Desembarque de Dom Afonso V, em Arzila, em 1471

A tapeçaria representa o desembarque das tropas portuguesas em Arzila e deve “ler-se” da esquerda para a direita, de baixo para cima. Na parte superior uma extensa legenda gótica, escrita em latim, descreve em traços gerais o que se narra na tapeçaria. Nesta se representa o que podemos designar por três cenas distintas. Na primeira cena assiste-se à chegada das naus, sendo visível além da nau capitânia – na qual flutua o pendão real com o emblema de D. Afonso V, o rodízio aspergindo gotas – um conjunto de outras naus profusamente engalanadas.

Na segunda cena representa-se a partida das barcas para terra, numa das quais vai o rei acompanhado pelo príncipe D. João, futuro rei D. João II, sendo a sua presença assinalada pelo pendão real e pelo estandarte de Portugal. Aqui se retrata também o naufrágio daqueles que “se metiam nas barcas com as suas armas, não resguardando o peso com que elas podiam” e que, por isso, “o mar recolheu para si”, ou seja, aí morreram.

Na terceira cena assiste-se à chegada a terra do rei (cuja presença é de novo marcada pelo pendão real e pelo estandarte de Portugal), do príncipe e demais expedicionários, os quais se vieram juntar aos condes de Monsanto e de Marialva que “com a gente que para isso foi ordenado” já aí haviam desembarcado manhã cedo. Todos estes portugueses, fortemente armados, estão voltados para uma cidade muralhada onde se encontram alguns soldados muçulmanos, sendo sabido que “os portugueses tomaram a cidade de surpresa e conduziram como prisioneiros para Portugal quantos nela se encontraram”.