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Rua Conde Dom Henrique

4800-412 Guimarães

PD0333

Objeto museológico (PDB)

Tapeçaria de Pastrana: Entrada das Tropas Portuguesas em Tânger
Centro de Fabrico: Real Fábrica de Tapices, Madrid, Espanha
Cronologia: 1936
Material: Lã e seda
Dimensões (cm): alt. 494 x larg. 1057
N.º de Inventário: PD0333

As «Tapeçarias de Pastrana» devem a designação ao facto de serem cópias únicas das tapeçarias do último quartel do século XV que se encontram na Colegiada de Pastrana, em Espanha.

Esta série de tapeçarias narra a conquista no norte de África, em 1471, da praça de Arzila (três tapeçarias) e a tomada de Tânger (uma tapeçaria), decorridas durante o reinado de D. Afonso V.

Trata-se muito provavelmente de uma encomenda régia feita a um dos centros manufatureiros da Flandres (Tournai, Bélgica), no terceiro quartel do século XV, podendo supor-se “que as tapeçarias tivessem levado entre três a cinco anos de trabalho em quatro teares operando em simultâneo com dezasseis a 20 tapeceiros” (Maria Antónia Quina).

É uma obra única no género, na Europa e no mundo, retratando com rigor histórico os acontecimentos bélicos ocorridos, os quais são, também, comprovados pela documentação.

A tomada de Tânger

Depois de conquistada a cidade de Arzila, D. Afonso V é informado de que os habitantes de Tânger haviam abandonado a urbe com medo de que os portugueses a tomassem de modo violento, tal como sucedido naquela. D. Afonso V decide então enviar a Tânger a infantaria e a cavalaria comandadas por D. João, futuro Marquês de Montemor, filho do Duque de Bragança.

Na parte superior da tapeçaria, uma extensa legenda gótica, escrita em latim, descreve em traços gerais o que nela se narra. Logo abaixo da legenda, representa-se o que se julga ser a cidade amuralhada de Arzila, retratada ao longe, lembrando a conquista realizada dias antes da tomada de Tânger.

No restante campo da tapeçaria, lendo-se da esquerda para a direita, observa-se a cavalaria e a infantaria portuguesa, dispostas em formação de combate, destacando-se a figura de D. João, ostentando na mão direita um estandarte. Repare-se que, ao contrário do sucedido em Arzila, não são visíveis armas de fogo, nem artilharia, nem sequer aparece representado o emblema de D. Afonso V (o rodízio aspergindo gotas), dado que o rei não esteve presente e porque não houve conquista. Ou seja, não houve combate, mas sim a ocupação/tomada da cidade dado que os muçulmanos a haviam abandonado.

A meio do campo está representada a cidade amuralhada de Tanger e a sua baía, mais fazendo lembrar uma cidade do norte da Europa (repare-se os telhados) do que uma urbe do norte de África. Sobre a porta de entrada da cidade destaca-se a figura de um soldado português segurando entre mãos o pendão real. Um pormenor a destacar é o modo como o mar é representado – fundo azul, mais ou menos claro, onde ondas altaneiras se destacam.

Do lado direito da tapeçaria encontram-se representados os habitantes de Tânger – homens, mulheres e crianças –, os quais, de costas voltadas para a cidade, partem em direção a um exílio forçado. Vale a pena observar os seus toucados, o modo como transportam os haveres às costas, ou, dentro de cestas, à cabeça.

Na tapeçaria são, pois, visíveis três cenas sequenciais, que podemos ler da direita para a esquerda: os muçulmanos já fora da cidade amuralhada partindo em direção ao exílio; a cidade amuralhada de Tanger onde a única figura humana é um soldado português segurando o pendão real, e a cavalaria e a infantaria portuguesa, dispostas em formação de combate, preparando-se para tomar a urbe.