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PD0405

Tapeçaria Publius Decius Mus: Publius Decius Mus faz-se consagrar antes de enfrentar a morte
Autor: Jan Raes II (tapeceiro) e Peter Paul Rubens (cartonista)
Centro de Fabrico: Bruxelas
Data: 1618-1643
Material: Lã e seda
Dimensões (cm): Alt. 405; larg. 415
N.º de Inventário: PD0405

Decius Mus, após ouvir o seu destino pronunciado pelo alto sacerdote de Roma, recebe os últimos rituais deste e recita a oração da morte: “Janus, Júpiter, Pai Marte, oh deuses domésticos, oh novos deuses, oh Deuses de Roma, oh poderosos sob o poder dos quais nós e os nossos inimigos nos submetemos, e oh deuses da morte, eu vos imploro: dai ao povo da cidade de Roma a vitória, mas, em contrapartida, dai medo, estragos e morte aos seus inimigos. Como expressamente prometi aqui, em defesa do estado de Roma, eu entrego as legiões do inimigo e eu próprio aos deuses da morte e da terra, como sacrifício.” Os romanos chamavam a este ritual solene “devotio“.

Como era costume, Decius Mus está com os dois pés em cima de uma flecha e recebe a bênção do alto sacerdote, vestido com uma enorme toga vermelha a cobrir-lhe a cabeça, destacando a inclinação devota do seu corpo. O manto de brocado do sacerdote, bordado a ouro e brilhando na luz, reforça a solenidade da cena.

Incidentalmente, na sua representação da qualidade dos materiais, Rubens pega numa velha tradição Neerlandesa. As poses das outras personagens envolvidas na cena estão relacionadas com as duas figuras centrais: uma testemunha envolta no seu manto acompanha o sacerdote, enquanto dois soldados, à direita, trazem o cavalo do comandante. O cavalo inclina profundamente a cabeça, repetindo o gesto de Decius Mus.

Publius Decius Mus
Político da República Romana, que pertenceu à gens Decia (família plebeia da antiguidade, que se tornou conhecida na história romana por vários membros se sacrificarem pela preservação de seu país).

Publio Décio Mus é mencionado, pela primeira vez, em 352 a.C., quando foi designado um dos quinqueviri mensarii (banqueiros públicos), que tinham por objetivo liquidar, até certo ponto, as dívidas dos cidadãos.

Em 343 a.C., serviu como Tribuno dos Soldados (patente de oficial numa legião romana) sob o comando do cônsul Marcus Valerius Corvus Arvina na Primeira Guerra Samnita. Devido ao seu heroísmo, na Batalha de Satícula, salvou o exército romano de um perigo iminente.

Em 340 a.C., foi eleito cônsul, juntamente com Titus Manlius Imperiosus Torquatus. Nesse ano, começou a Segunda Guerra Latina (340-388 a.C.), durante a qual se travou a Batalha do Vesúvio, que ocorreu entre a cidade de Nápoles e o Monte, comandada pelos dois cônsules.

Durante esta batalha, Públio Décio Mus ficou famoso pelo seu lendário devotio, no qual jurou sacrificar sua própria vida em troca de uma vitória. Segundo Tito Lívio, Décio Mus teve um sonho premonitório, anunciando que o exército, cujo general morresse durante a batalha, ia ser o vencedor.  O devotio (uma forma extrema de votum, promessa feita a uma divindade), é um ritual romano e o mais famoso da sua história está relacionado com Públio Decio Mus. Este costume também é conhecido em lendas gregas.