Nos dias 21 e 22 de janeiro de 2027, o Paço dos Duques de Bragança, equipamento patrimonial da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. – Ministério da Cultura, Juventude e Desporto acolherá, em Guimarães, o workshop internacional Sensual Fabrics: Senses and Textiles for Today’s Audiences, uma iniciativa promovida no âmbito da Ação COST CA24164 Sensing Europe’s Court Spaces at the Crossroads of Past, Present and Future (SENSES). Organizada em parceria com o Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e com o Paço dos Duques de Bragança, esta reunião de trabalho e investigação do grupo SENSES propõe uma reflexão inovadora sobre o papel dos têxteis nos espaços palacianos medievais e modernos, explorando a forma como tecidos, tapeçarias, damascos, couros lavrados e outros revestimentos influenciavam a experiência sensorial nas cortes europeias.

A realização deste workshop em Guimarães reveste-se de particular significado. O Paço dos Duques de Bragança constitui um dos mais importantes testemunhos da arquitetura senhorial em Portugal e um lugar privilegiado para refletir sobre a materialidade, o quotidiano e as práticas culturais das elites cortesãs europeias. A singularidade da sua arquitetura alia-se à riqueza das suas coleções de tapeçarias, tapetes e peças de indumentária, que evocam a dimensão representativa, decorativa e sensorial dos antigos espaços palacianos. Construído no século XV por D. Afonso, primeiro Duque de Bragança, o edifício nasceu num contexto marcado pela intensa circulação de pessoas, objetos, ideias e referências artísticas entre Portugal e os principais centros políticos e culturais da Europa.

Esta dimensão internacional estará particularmente presente ao longo do workshop. Investigadores e especialistas provenientes de diversos países encontrarão no Paço dos Duques um cenário excecional para discutir a cultura material das cortes, em diálogo direto com uma das mais notáveis coleções museológicas portuguesas. As tapeçarias flamengas de elevada qualidade artística, a par das tapeçarias de Aubusson, dos tapetes Salting e da coleção de indumentária dos Condes de Margaride, preservam a memória de séculos de contactos diplomáticos, intercâmbios institucionais e partilhas culturais. Estes objetos não constituem apenas testemunhos de gosto e de poder; documentam também as redes de circulação que ligavam a Península Ibérica aos Países Baixos, à França, à Itália e a outros territórios europeus.

De certa forma, as missões diplomáticas e os contactos internacionais promovidos pelo primeiro Duque de Bragança encontram hoje continuidade simbólica em Guimarães. Tal como o fundador da dinastia brigantina acompanhava os grandes movimentos políticos e culturais do seu tempo, também hoje o Paço dos Duques se transforma num espaço de encontro e partilha de conhecimento entre investigadores, conservadores, profissionais de museus e especialistas do património de diferentes países. O diálogo internacional que marcou a génese desta residência ducal renova-se, assim, por meio da investigação científica e da cooperação europeia.

O tema central do workshop convida assim a olhar para as coleções do Paço sob uma nova perspetiva. Os têxteis, frequentemente entendidos apenas como elementos decorativos, serão analisados enquanto agentes fundamentais da experiência sensorial dos espaços históricos. Através deles, regulavam-se as temperaturas, alteravam-se as condições acústicas, modelavam-se as perceções visuais e evocavam-se memórias associadas a cerimónias, festividades ou períodos de luto. Esta abordagem, centrada nos sentidos, permite compreender mais profundamente a vivência dos espaços palacianos e abre novas possibilidades de interpretação e comunicação do património junto dos públicos contemporâneos.

Presentes nas paredes, sobre portas e janelas, nos pavimentos, sobre mesas e estrados, no leito e no próprio vestuário, os têxteis ocupavam os palácios como nenhum outro componente decorativo. Em certos casos, eram tão marcantes que deram nome aos acontecimentos em que figuraram. O exemplo mais célebre será o Campo do Pano de Ouro, um conjunto efémero erguido em 1520 para acolher o encontro entre Henrique VIII de Inglaterra e Francisco I de França. Compreender esta importância ajuda a explicar o elevado investimento dos patronos nestes bens — das tapeçarias da Flandres às sedas e aos couros dourados de Veneza, entre muitos outros —, que figuravam entre os objetos mais dispendiosos que adquiriam.

Nos últimos anos, palácios-museus, museus e instituições afins têm dedicado crescente atenção a esta dimensão da vida dos têxteis, desenvolvendo estratégias que permitem aos visitantes aceder ao seu universo sensorial. Algumas são simples, como a disponibilização de pequenas amostras táteis; outras recorrem a réplicas integrais de vestuário, permitindo experimentar a complexidade de envergar uma volumosa saia do século XVIII ou sentir o peso de uma armadura medieval. A apresentação de amostras aromáticas pode ainda estimular o olfato e enriquecer a interpretação.

O workshop constituirá, assim, uma oportunidade única para cruzar investigação académica, práticas museológicas e inovação na mediação cultural e sensorial. Num edifício cuja história se encontra intimamente ligada às grandes dinâmicas políticas e culturais da Europa tardo-medieval, os participantes serão convidados a refletir não apenas sobre o passado, mas também sobre os desafios presentes e futuros dos museus. Guimarães, cidade associada às origens de Portugal, afirma-se, deste modo, como um espaço privilegiado para a criação de novas redes de conhecimento, acolhendo um encontro internacional que reúne património, investigação e cooperação europeia num cenário histórico de excelência.

As candidaturas deverão ser submetidas até 1 de novembro de 2026.

Descarregue a chamada para submissão de resumos e consulte mais informações AQUI.

O resumo (com o máximo de 300 palavras), acompanhado de um pequeno C.V. (máximo de uma página) deverá ser enviado ao cuidado do Professor Doutor Nuno Senos (nsenos@fcsh.unl.pt)